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Antibióticos: Por que algumas bactérias resistem ao tratamento

2017-11-13

Antibióticos: Por que algumas bactérias resistem ao tratamento

Os antibióticos são medicamentos destinados ao tratamento de infeções causadas por bactérias, não atuando sobre infeções causadas por vírus, como é o caso das constipações e gripe.

A penicilina foi o primeiro antibiótico usado, tendo sido descoberta por Alexander Flemming em 1928. Desde então muitos antibióticos têm sido descobertos, procurando destruir mais bactérias e com menos efeitos secundários.

Os antibióticos não servem para tratar a febre ou as dores musculares, de cabeça ou de garganta. Para tal, utilizam-se medicamentos chamados antipiréticos, como o paracetamol, o ácido acetilsalicílico ou o ibuprofeno, entre outros.

As bactérias e os vírus existem por toda a natureza. O nosso corpo tem normalmente tantas bactérias quanto células humanas. A maioria não faz mal ou provoca apenas doenças ligeiras. As bactérias, por exemplo, contribuem para o fabrico do queijo ou dos iogurtes.

As bactérias são seres vivos microscópicos, constituídos por uma única célula. Multiplicam-se rapidamente, a cada vinte minutos. Os antibióticos podem bloquear a capacidade das bactérias se multiplicarem.

Os vírus são seres vivos mais simples, só visíveis ao microscópio eletrónico. Para se multiplicarem precisam de infetar outras células. Os antibióticos não são capazes de atuar sobre os vírus.

Por que existe resistência das bactérias aos antibióticos?

Quando tomamos um antibiótico, as bactérias existentes no nosso corpo que são sensíveis a esse antibiótico acabam por morrer. Mas, ao multiplicarem-se, algumas bactérias sofrem modificações (mutações) que as tornam resistentes a esse antibiótico, dando origem a novas bactérias filhas que se vão mutiplicando, pelo que o antibiótico deixa de atuar.

Todos os antibióticos podem originar bactérias resistentes. Quanto mais um antibiótico for utilizado, maior a possibilidade de existir resistência à sua ação.

Os antibióticos não são apenas usados no tratamento de infeções nos humanos. Também são usados em animais, estando assim presentes em quantidades pequenas nos produtos animais e vegetais.

Algumas bactérias são chamadas multirresistentes ou "superbactérias” porque se tornaram resistentes a vários antibióticos, sendo de difícil tratamento e obrigando geralmente a internamento hospitalar. Para algumas delas apenas existe um ou dois antibióticos eficazes. Noutros casos, nem sequer há atualmente tratamento.

Apesar das melhorias significativas verificadas nos últimos anos, Portugal continua a ser um dos países da União Europeia onde mais se utiizam antibióticos e onde também há menos conhecimento sobre a sua utilização.

Como se transmitem as bactérias resistentes aos antibióticos?

As nossas bactérias podem modificar-se quando tomamos antibióticos para tratar infeções ou consumimos repetidamente alimentos contendo antibióticos.

De cada vez que as nossas bactérias ganham uma resistência, na vez seguinte em que ficamos com uma infeção torna-se necessário usar um antibiótico mais forte, que, por sua vez, potencia nova resistência, e por aí adiante.

Também podemos ficar com uma bactéria resistente se contactarmos repetidamente com pessoas ou ambientes contaminados e formos sujeitos a algaliação ou outros procedimentos ditos invasivos.

Se lavarmos as mãos e usarmos os antibióticos apenas quando indicado, reduzimos de forma significativa o risco de termos bactérias resistentes.

Ao viajarmos para certas zonas do planeta podemos também ficar com bactérias resistentes, mesmo que não sejamos internados.

Finalmente, podemos contrair essas bactérias se tivermos um contacto muito frequente com animais vivos que delas sejam portadores.

O que pode fazer para reduzir as bactérias resistentes? 

Quando tiver febre, dor de cabeça ou garganta não tome logo antibióticos. A maioria das situações de febre é causada por vírus e passa ao fim de três a quanto dias. Em caso de dúvida consulte o seu médico ou ligue para a Linha SNS 24: 808 24 24 24.

Não utilize antibióticos sem que seja um médico a tomar essa decisão e a passar-lhe uma receita. Não use antibióticos que sobraram de tratamentos anteriores nem de outras pessoas.

Pergunte sempre para que infeção está a usar antibiótico.

Cumpra cuidadosamente a duração do tratamento e o horário das tomas. Se, por acaso, esquecer uma toma, recomece logo que possível e faça um acerto depois.

Não guarde em casa sobras de embalagens de antibióticos nem os deite fora. Devolva tudo a uma farmácia.

Cozinhe bem a carne e o peixe, não os deixando crus. O calor inativa resíduos de antibióticos que neles possam existir.

Lave bem os vegetais para eliminar possíveis resíduos neles existentes.

Lave bem as mãos antes das refeições, após a utilização de casa de banho, após contacto com superfícies de utilização pública ou após contacto com animais.

Nos hospitais, centros de saúde, unidades de diálise, centros de dia, lares e residências seniores, lave sempre as mãos após contactar com doentes ou residentes, ou com as superfícies com eles relacionadas.

Garanta uma adequada higiene corporal e do vestuário, assim como adequados hábitos alimentares e estilos de vida saudáveis.

Para saber mais visite:

Direção Geral de Saúde

European Antibiotic Awareness Day

Organização Mundial de Saúde

Facebook: EAAD.EU

Twitter: @EAAD_EU #EAAD

 

Carlos Palos

Coordenador do Grupo Local do Programa de Prevenção, Controlo de Infeção e Resistência aos Antimcrobianos (PPCIRA) do Hospital Beatriz Ângelo (HBA) e da Comissão Nacional do PPCIRA do Grupo Luz Saúde

Membro da Direção Nacional do PPCIRA da Direção Geral de Saúde

 

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